sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

V

O nunca mais não é verdade.
Há ilusões e assomos, há repentes
De perpetuar a Duração
O nunca mais é só meia-verdade:
Como se visses a ave entre a folhagem
E ao mesmo tempo não.
(E antevisses contentando a morte na paisagem)

O nunca mais é de planície e fendas.
É de abismos e arroios.
É de perpetuidade no que pensas efêmero
E breve e pequenino
No que sentes eterno.

Num é corvo ou poema o Nunca mais.

Cantares - Hilda Hilst